domingo, 25 de abril de 2010

Pequena interrupção

Antes de escrever neste espaço as entradas relativas ao fim de semana, faço aqui uma pequena interrupção na programação habitual deste espaço, apenas para dizer isto:

SPORT LISBOA E BENFICA
CAMPEÃO EUROPEU DE FUTSAL 2009/2010

Foto: Público

PARABÉNS, RAPAZES!

A 9000 km de Lisboa, é com muito orgulho que faço parte desta enorme família, que enormes alegrias nos traz. Que muitas outras se sigam, contra tudo e contra todos! É à Benfica!

Dia 42: Olá Murphy

"Errar é humano, mas para estragar realmente as coisas é preciso um computador." é uma das leis de Murphy relacionadas com tecnologia.

No nosso caso particular é preciso que um computador remoto, sobre o qual não temos qualquer tipo de controlo e do qual dependemos para manipular alguns dos dispositivos que estamos a integrar, decida morrer no exacto minuto em que precisámos de demonstrar que conseguimos controlar os dispositivos. Só queríamos uma luz acesa, e baseado nesse instante, detectar uma porta aberta. Nada mais que isso. Não deu. A luz acendeu-se a meio de uma das demos a seguir à nossa...

Terça-feira alguém vai falar com os donos deste servidor que está rotulado com "alta disponibilidade", mas que passou a semana toda a falhar e pior que isso, já é a segunda vez que nos falha em momentos decisivos. Não serei eu, porque com a fúria com que lhes fiquei na Sexta-feira, alguém poderia ficar irremediavelmente incapacitado de prosseguir com a colaboração...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Dia 37: adeus Mazda

Esta Segunda-feira disse adeus ao Mazda 6 que me estava atribuído. Foi um bom companheiro durante 5 semanas, mas chegou a hora de me despedir do feiticeiro cinza que durante este tempo todo nunca se poupou a esforços para me fazer chegar ao sítio onde precisaria de estar às horas que eram precisas. O fim chegou com dignidade e, como acontece com as árvores, de pé.

Liguei para a empresa de aluguer de automóveis, disse que estava com os problemas mecânicos que verifiquei no Sábado e à hora de almoço fui lá entregá-lo. Ainda me perguntaram se ficaria satisfeito se levasse outro Mazda, uma vez que só tinham um Mazda 6 ou um Mazda 3. Como estava a entregar um Mazda 6, disse que não teria quaisquer problemas em trazer outro igual.

Dito e feito. Tal como aconteceu com o Gandalf, o feiticeiro cinza passou a ser o feiticeiro branco. Como diria alguém que bem conhecemos, primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Entretanto contratámos um designer local para fazer com que as coisas que estamos a fazer fiquem bonitas e não apenas a funcionar. Ao que parece o tipo sabe o que está a fazer. Por 75 dólares à hora, também era melhor que não soubesse...

Dia 37: o regresso a San Francisco

Sábado foi um dia cansativo, pelo que no Domingo decidimos considerar um sítio mais perto para ocupar o tempo. Os colegas polacos com quem tínhamos partilhado o Sábado decidiram ir até à praia, dado que estava bom tempo e eles não têm muitas hipóteses de ir à praia lá para os lados deles. Como ainda há muita coisa por aqui que quero ver antes de passar um dia inteiro na praia a não fazer nada, a minha escolha foi outra. Juntaram-se a mim os dois colegas habituais nestas aventuras de fim de semana e seguimos no carro que ambos partilham, já que não queríamos arriscar ficar pelo caminho à conta dos problemas mecânicos do Mazda 6 que me estava atribuído.

Começámos por ir até um ponto mais elevado da cidade chamado Twin Peaks. Não tem nada a ver com a série de televisão criada por David Lynch, à excepção do nome, já que a série se passava numa localização fictícia perto de Washington. O nome deste sítio vem precisamente do facto de serem dois montes aproximadamente da mesma altura, que vistos de longe dão a ideia de ser gémeos.


Dado que o sítio é bastante elevado, lá de cima consegue observar-se toda a cidade, a baía e muito mais além, de uma forma que ainda não tínhamos visto. Também ajudou o facto de estar um dia solarengo como ainda não tínhamos apanhado com temperaturas na ordem dos 76 graus Fahrenheit, ou 24 graus Celsius.


Descemos então de Twin Peaks em direcção ao Golden Gate Park que, ao contrário do que o nome indica, não fica ao pé da Golden Gate. É um dos muitos parques verdes da cidade e é um bom sítio para passear e descontrair, enquanto se admira tudo o que a Natureza tem para nos dar. Quem quiser até pode andar de gaivota no lago que, ao contrário do que seria esperado, é numa das partes mais altas do parque

Como bons europeus que somos, procurámos um lugar para estacionar o carro cá fora, algo que foi ligeiramente complexo, e andámos até uma das entradas do parque. Como bons europeus que somos, quando lá chegámos dentro lembrámo-nos que estamos nos EUA e que aqui as pessoas vão efectivamente de carro para dentro do parque e o que lá havia mais eram sítios para parar...


Dentro deste parque fica o De Young Museum, também conhecido pelo Fine Arts Museum de San Francisco. Dado que nenhum de nós estava numa toada particularmente cultural neste Domingo, acabámos por ver apenas o exterior.


Ali por perto fica também a California Academia of Science, num edifício cujo telhado é um verdíssimo relvado. Apetecia-me muito ir lá espreitar dentro, mas o bilhete custava 25 dólares e na altura pareceu-me um pouco caro demais. Talvez ainda lá volte um dia destes...


Decidimos então procurar um sítio para almoçar. Um que fosse bom e não vendesse apenas hambúrgueres ou sandes. Até lá chegarmos ainda vimos um típico jogo de basebol a acontecer no parque. Devia ser para aí da terceira divisão ou coisa que o valha.


O sítio onde fomos almoçar chama-se Pacific Catch, fica no cruzamento Lincoln Way com a 9th Avenue, e a comida é muito boa, em particular para quem gosta de peixe, seja ele cozinhado ou cru.


No final do almoço, enquanto consultávamos o mapa da cidade e planeávamos o destino seguinte, ficámos a saber que a empregada que nos recebeu achou fantástico que nós fôssemos da Europa, e que ela gostava de viajar e um dia sair de San Francisco. Curioso, se eu tivesse que escolher um sítio para viver fora da Europa, seria precisamente San Francisco...

Concluído o almoço, decidimos então levar o carro até Presidio of San Francisco, uma outra zona verde, desta vez mais próxima da baía e da Golden Gate, onde em tempos estiveram os exércitos Americano, Espanhol e Mexicano. Dali até à Golden Gate são alguns minutos a andar pela costa da baía, com a água mesmo ali ao pé e pessoas a aproveitar o dia de Sol ao máximo.


Como estamos mesmo na linha de costa da baía, a vista dali sobre os elementos que decoram a baía é muito melhor do que a que tínhamos noutros locais da cidade.


À medida que nos aproximamos da ponte, o seu esplendor torna-se impossível de ignorar. Lá perto há uma zona onde as famílias, ou apenas grupos de amigos, se reúnem aos fins de semana e levam a cabo um encontro gastro-cultural, inclusivamente com a ingestão de bebidas alcoólicas em público, algo que não é permitido em quase nenhum outro local.


Esta ponte é mesmo muito interessante e quer-me parecer que, por ser mais baixa que a semelhante em Lisboa e por ser possível atravessá-la a pé ou de bicicleta, ainda fica mais interessante. Não que a nossa não seja bonita também, mas esta é diferente. Não sei como descrever, mas acho-a mais interessante que a nossa.

Até lá chegar ainda encontrei um excelente exemplo do que se pode fazer numa matrícula personalizada, algo que é bastante comum por aqui. Informático que não saiba o que esta matrícula quer dizer está claramente na profissão errada!


Já por baixo da ponte, a vista para San Francisco é o que dela se podia esperar: de tirar o fôlego. Por ali há ainda Fort Point, um antigo forte de defesa da baía, de onde se pode admirar, uma vez mais, a harmonia entre a beleza natural e aquilo que o homem neste sítio construiu.


Concluído então mais um dia em San Francisco, no dia em que se comemoravam exactamente 104 anos desde a data do grande terramoto, até porque as pernas dos viajantes começavam a acusar o cansaço do próprio dia e o acumulado do dia anterior, estava na hora de regressar a casa. Passagem pelo meio de San Francisco, por algumas ruas que já conhecemos, mas também por outras onde ainda não tínhamos estado. 

Entre estas inclui-se a descida da Crooked Street, a rua que se desce com o carro em zigue-zague, que gravei em vídeo mas que não posso colocar aqui por causa do tamanho do ficheiro. Eu depois mostro a quem quiser ver.


Chegada ao hotel por volta das 19.30, já que na Segunda-feira seria dia de trabalho. Como estávamos mesmo a precisar, houve tempo ainda para experimentar o que acontece quando uma massa de água mais ou menos parada está ao Sol durante o dia todo...


Ao princípio parecia um pouco fria, mas depois de molhar o corpo todo estava óptima. Curioso ou não, quando eu entrei não estava lá ninguém, como se pode ver pela imagem, mas logo de seguida juntaram-se mais uns colegas, que deviam estar a ver se alguém era corajoso para dar o primeiro passo.

E no final, meia hora no jacuzzi com água quente para relaxar os músculos. Isto é um trabalho duro, mas alguém tem de o fazer.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dia 36: cansar o corpo, descansar a cabeça

Se durante a semana andamos a um ritmo alucinante que mal dá para respirar, ao fim de semana a atitude habitual é cansar ao máximo o corpo para dar descanso à cabeça. Este fim de semana não foi excepção. Havia pessoas a falar em segunda roadtrip, mas como ficámos no escritório até tarde, o fim de semana acabou por não ser uma viagem para muito longe.

Depois de alguns minutos durante o pequeno almoço de Sábado a tentar decidir o que fazer, acabámos por seguir viagem para Norte. Já tínhamos ido a San Francisco, já tínhamos ido a Muir Woods, mas ainda há muito para ver a Norte da baía. Decidimos levar apenas um carro, já que éramos apenas cinco pessoas e os Mazda 6, como o que eu conduzo, aparentam ser suficientemente grandes para isso. Alguns quilómetros depois de termos saído do hotel e já tínhamos percebido que um carro de 5 lugares nos EUA é feito para 4 pessoas, independentemente de terem tamanho americano ou europeu...

Primeira paragem: Sausalito, que é uma pequena cidade junto à margem da baía, onde as casas são à beira da água e, à conta disso, têm um óptimo aspecto.


Próximo destino: um parque natural com nome de um jogador de futebol que recentemente espalhou o seu talento pelos relvados portugueses, envergando com orgulho o manto sagrado. O número no seu equipamento era o 6 e o seu primeiro nome era Jose. Ficou conhecido apenas como Reyes. Qual é afinal o nome do parque? Point Reyes.

Mas antes de lá chegar, umas paragens pelo caminho para tirar mais umas fotos do Pacífico. Por muitas fotos que tiremos, nenhuma parece dar a dimensão que este Oceano transmite.


Uma paragem para almoçar em Stinson Beach, onde comi um guisado de bacalhau, supostamente à portuguesa, que até nem estava muito mau, e a viagem continuou logo depois. Em cada paragem que fizémos trocámos de posição dentro do carro, para não serem sempre os mesmos a irem apertados no banco de trás. Depois de várias dezenas de quilómetros em estradas com curvas e contra-curvas, a maior parte dos quais sobre a falha sismológica de San Andreas, lá chegámos finalmente ao parque.

Olhámos para o relógio, escolhemos um trilho que ocupasse algumas horas e começámos a andar. Foram no total 8 km a andar pelo meio de árvores, metade deles a subir para chegarmos aos 426 metros de altitude e, claro, outra metade a voltar para trás. Desengane-se quem pensar que isto é fácil, porque fácil mesmo é ficar sem fôlego a meio da subida ou com dor de cabeça por causa de toda a tonalidade de aromas que emanam das plantas e enriquecem o quadro de pureza que ali se respira.


Perto do topo tivémos oportunidade de ver um bobcat, que é uma espécie de gato selvagem. Sei que não se vê muito bem na foto, mas foi o mais perto que consegui chegar sem perturbar o descanso do dito.


De regresso ao parque de estacionamento decidimos ver como estava a situação mecânica que tínhamos detectado no carro quando vínhamos para ali. A dada altura durante a viagem começou a ouvir-se um ruído mecânico que aparentava vir das rodas, que era diferente dos ruídos normais e não parecia ficar melhor a cada curva que se fazia,  e quando parámos reparámos que o carro estava a deixar escapar algum líquido na zona da roda direita à frente. E não, não era condensação do Ar Condicionado, já que o mesmo vinha desligado. Entretanto o barulho parou, mas a fuga parecia continuar. No regresso da caminhada, os pingos aparentavam ter reduzido a sua frequência.

Alguém percebe alguma coisa de mecânica por aqui? Não, somos todos informáticos... OK, o líquido da refrigeração parece estar em baixo, vamos colocar alguma água só para repor o nível. Dito e feito. A ver no que isto dá que ainda temos uma viagem longa pela frente. Como o barulho parou antes de chegarmos ali, decidimos fazer tudo o que tínhamos planeado antes de chegar aquele ponto.

Próxima paragem: o farol de Point Reyes. Este farol fica entre a Drakes Bay e o Pacífico, demora-se quase 45 minutos até lá chegar de carro e é o ponto mais ocidental dos EUA a que já fomos. A toda a sua volta, uma vista magnífica, tanto para terra como para o lado do Oceano.


Não se pode ir de carro até ao farol, pelo que os últimos 500 metros são feitos a pé. Temperatura do ar à hora que lá estávamos: baixa. Vento: muito, parecia o Cabo de São Vicente em Portugal. Suponho que as baleias que passam aqui à frente do farol não tenham problemas com isso...


E claro, como não poderia deixar de ser, as já habituais fotos de turistas, em que cada um pede a um dos outros uma fotografia daquele sítio.


Mais umas fotos do farol, à espera pela hora do pôr do Sol, já que aquele sítio parece ser uma das paixões dos fotógrafos e havia lá um grande número deles com máquinas profissionais, lentes enormes e inclusivamente tripés, para captar esse momento. Não os censuro de forma alguma.


Já no regresso, mais algumas oportunidades de testemunhar a beleza deste momento que só acontece uma vez por dia. E a cada dia parece que fica mais bonito.


Chegada ao hotel por volta das 22.30 de Sábado, sem novos problemas mecânicos. A fuga, no entanto, continuava lá.
 
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