Sábado foi um dia cansativo, pelo que no Domingo decidimos considerar um sítio mais perto para ocupar o tempo. Os colegas polacos com quem tínhamos partilhado o Sábado decidiram ir até à praia, dado que estava bom tempo e eles não têm muitas hipóteses de ir à praia lá para os lados deles. Como ainda há muita coisa por aqui que quero ver antes de passar um dia inteiro na praia a não fazer nada, a minha escolha foi outra. Juntaram-se a mim os dois colegas habituais nestas aventuras de fim de semana e seguimos no carro que ambos partilham, já que não queríamos arriscar ficar pelo caminho à conta dos problemas mecânicos do Mazda 6 que me estava atribuído.
Começámos por ir até um ponto mais elevado da cidade chamado Twin Peaks. Não tem nada a ver com a série de televisão criada por David Lynch, à excepção do nome, já que a série se passava numa localização fictícia perto de Washington. O nome deste sítio vem precisamente do facto de serem dois montes aproximadamente da mesma altura, que vistos de longe dão a ideia de ser gémeos.
Dado que o sítio é bastante elevado, lá de cima consegue observar-se toda a cidade, a baía e muito mais além, de uma forma que ainda não tínhamos visto. Também ajudou o facto de estar um dia solarengo como ainda não tínhamos apanhado com temperaturas na ordem dos 76 graus Fahrenheit, ou 24 graus Celsius.
Descemos então de Twin Peaks em direcção ao Golden Gate Park que, ao contrário do que o nome indica, não fica ao pé da Golden Gate. É um dos muitos parques verdes da cidade e é um bom sítio para passear e descontrair, enquanto se admira tudo o que a Natureza tem para nos dar. Quem quiser até pode andar de gaivota no lago que, ao contrário do que seria esperado, é numa das partes mais altas do parque
Como bons europeus que somos, procurámos um lugar para estacionar o carro cá fora, algo que foi ligeiramente complexo, e andámos até uma das entradas do parque. Como bons europeus que somos, quando lá chegámos dentro lembrámo-nos que estamos nos EUA e que aqui as pessoas vão efectivamente de carro para dentro do parque e o que lá havia mais eram sítios para parar...
Dentro deste parque fica o De Young Museum, também conhecido pelo Fine Arts Museum de San Francisco. Dado que nenhum de nós estava numa toada particularmente cultural neste Domingo, acabámos por ver apenas o exterior.
Ali por perto fica também a California Academia of Science, num edifício cujo telhado é um verdíssimo relvado. Apetecia-me muito ir lá espreitar dentro, mas o bilhete custava 25 dólares e na altura pareceu-me um pouco caro demais. Talvez ainda lá volte um dia destes...
Decidimos então procurar um sítio para almoçar. Um que fosse bom e não vendesse apenas hambúrgueres ou sandes. Até lá chegarmos ainda vimos um típico jogo de basebol a acontecer no parque. Devia ser para aí da terceira divisão ou coisa que o valha.
O sítio onde fomos almoçar chama-se Pacific Catch, fica no cruzamento Lincoln Way com a 9th Avenue, e a comida é muito boa, em particular para quem gosta de peixe, seja ele cozinhado ou cru.
No final do almoço, enquanto consultávamos o mapa da cidade e planeávamos o destino seguinte, ficámos a saber que a empregada que nos recebeu achou fantástico que nós fôssemos da Europa, e que ela gostava de viajar e um dia sair de San Francisco. Curioso, se eu tivesse que escolher um sítio para viver fora da Europa, seria precisamente San Francisco...
Concluído o almoço, decidimos então levar o carro até Presidio of San Francisco, uma outra zona verde, desta vez mais próxima da baía e da Golden Gate, onde em tempos estiveram os exércitos Americano, Espanhol e Mexicano. Dali até à Golden Gate são alguns minutos a andar pela costa da baía, com a água mesmo ali ao pé e pessoas a aproveitar o dia de Sol ao máximo.
Como estamos mesmo na linha de costa da baía, a vista dali sobre os elementos que decoram a baía é muito melhor do que a que tínhamos noutros locais da cidade.
À medida que nos aproximamos da ponte, o seu esplendor torna-se impossível de ignorar. Lá perto há uma zona onde as famílias, ou apenas grupos de amigos, se reúnem aos fins de semana e levam a cabo um encontro gastro-cultural, inclusivamente com a ingestão de bebidas alcoólicas em público, algo que não é permitido em quase nenhum outro local.
Esta ponte é mesmo muito interessante e quer-me parecer que, por ser mais baixa que a semelhante em Lisboa e por ser possível atravessá-la a pé ou de bicicleta, ainda fica mais interessante. Não que a nossa não seja bonita também, mas esta é diferente. Não sei como descrever, mas acho-a mais interessante que a nossa.
Até lá chegar ainda encontrei um excelente exemplo do que se pode fazer numa matrícula personalizada, algo que é bastante comum por aqui. Informático que não saiba o que esta matrícula quer dizer está claramente na profissão errada!
Já por baixo da ponte, a vista para San Francisco é o que dela se podia esperar: de tirar o fôlego. Por ali há ainda Fort Point, um antigo forte de defesa da baía, de onde se pode admirar, uma vez mais, a harmonia entre a beleza natural e aquilo que o homem neste sítio construiu.
Concluído então mais um dia em San Francisco, no dia em que se comemoravam exactamente 104 anos desde a data do grande terramoto, até porque as pernas dos viajantes começavam a acusar o cansaço do próprio dia e o acumulado do dia anterior, estava na hora de regressar a casa. Passagem pelo meio de San Francisco, por algumas ruas que já conhecemos, mas também por outras onde ainda não tínhamos estado.
Entre estas inclui-se a descida da Crooked Street, a rua que se desce com o carro em zigue-zague, que gravei em vídeo mas que não posso colocar aqui por causa do tamanho do ficheiro. Eu depois mostro a quem quiser ver.
Chegada ao hotel por volta das 19.30, já que na Segunda-feira seria dia de trabalho. Como estávamos mesmo a precisar, houve tempo ainda para experimentar o que acontece quando uma massa de água mais ou menos parada está ao Sol durante o dia todo...
Ao princípio parecia um pouco fria, mas depois de molhar o corpo todo estava óptima. Curioso ou não, quando eu entrei não estava lá ninguém, como se pode ver pela imagem, mas logo de seguida juntaram-se mais uns colegas, que deviam estar a ver se alguém era corajoso para dar o primeiro passo.
E no final, meia hora no jacuzzi com água quente para relaxar os músculos. Isto é um trabalho duro, mas alguém tem de o fazer.