segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dia 36: cansar o corpo, descansar a cabeça

Se durante a semana andamos a um ritmo alucinante que mal dá para respirar, ao fim de semana a atitude habitual é cansar ao máximo o corpo para dar descanso à cabeça. Este fim de semana não foi excepção. Havia pessoas a falar em segunda roadtrip, mas como ficámos no escritório até tarde, o fim de semana acabou por não ser uma viagem para muito longe.

Depois de alguns minutos durante o pequeno almoço de Sábado a tentar decidir o que fazer, acabámos por seguir viagem para Norte. Já tínhamos ido a San Francisco, já tínhamos ido a Muir Woods, mas ainda há muito para ver a Norte da baía. Decidimos levar apenas um carro, já que éramos apenas cinco pessoas e os Mazda 6, como o que eu conduzo, aparentam ser suficientemente grandes para isso. Alguns quilómetros depois de termos saído do hotel e já tínhamos percebido que um carro de 5 lugares nos EUA é feito para 4 pessoas, independentemente de terem tamanho americano ou europeu...

Primeira paragem: Sausalito, que é uma pequena cidade junto à margem da baía, onde as casas são à beira da água e, à conta disso, têm um óptimo aspecto.


Próximo destino: um parque natural com nome de um jogador de futebol que recentemente espalhou o seu talento pelos relvados portugueses, envergando com orgulho o manto sagrado. O número no seu equipamento era o 6 e o seu primeiro nome era Jose. Ficou conhecido apenas como Reyes. Qual é afinal o nome do parque? Point Reyes.

Mas antes de lá chegar, umas paragens pelo caminho para tirar mais umas fotos do Pacífico. Por muitas fotos que tiremos, nenhuma parece dar a dimensão que este Oceano transmite.


Uma paragem para almoçar em Stinson Beach, onde comi um guisado de bacalhau, supostamente à portuguesa, que até nem estava muito mau, e a viagem continuou logo depois. Em cada paragem que fizémos trocámos de posição dentro do carro, para não serem sempre os mesmos a irem apertados no banco de trás. Depois de várias dezenas de quilómetros em estradas com curvas e contra-curvas, a maior parte dos quais sobre a falha sismológica de San Andreas, lá chegámos finalmente ao parque.

Olhámos para o relógio, escolhemos um trilho que ocupasse algumas horas e começámos a andar. Foram no total 8 km a andar pelo meio de árvores, metade deles a subir para chegarmos aos 426 metros de altitude e, claro, outra metade a voltar para trás. Desengane-se quem pensar que isto é fácil, porque fácil mesmo é ficar sem fôlego a meio da subida ou com dor de cabeça por causa de toda a tonalidade de aromas que emanam das plantas e enriquecem o quadro de pureza que ali se respira.


Perto do topo tivémos oportunidade de ver um bobcat, que é uma espécie de gato selvagem. Sei que não se vê muito bem na foto, mas foi o mais perto que consegui chegar sem perturbar o descanso do dito.


De regresso ao parque de estacionamento decidimos ver como estava a situação mecânica que tínhamos detectado no carro quando vínhamos para ali. A dada altura durante a viagem começou a ouvir-se um ruído mecânico que aparentava vir das rodas, que era diferente dos ruídos normais e não parecia ficar melhor a cada curva que se fazia,  e quando parámos reparámos que o carro estava a deixar escapar algum líquido na zona da roda direita à frente. E não, não era condensação do Ar Condicionado, já que o mesmo vinha desligado. Entretanto o barulho parou, mas a fuga parecia continuar. No regresso da caminhada, os pingos aparentavam ter reduzido a sua frequência.

Alguém percebe alguma coisa de mecânica por aqui? Não, somos todos informáticos... OK, o líquido da refrigeração parece estar em baixo, vamos colocar alguma água só para repor o nível. Dito e feito. A ver no que isto dá que ainda temos uma viagem longa pela frente. Como o barulho parou antes de chegarmos ali, decidimos fazer tudo o que tínhamos planeado antes de chegar aquele ponto.

Próxima paragem: o farol de Point Reyes. Este farol fica entre a Drakes Bay e o Pacífico, demora-se quase 45 minutos até lá chegar de carro e é o ponto mais ocidental dos EUA a que já fomos. A toda a sua volta, uma vista magnífica, tanto para terra como para o lado do Oceano.


Não se pode ir de carro até ao farol, pelo que os últimos 500 metros são feitos a pé. Temperatura do ar à hora que lá estávamos: baixa. Vento: muito, parecia o Cabo de São Vicente em Portugal. Suponho que as baleias que passam aqui à frente do farol não tenham problemas com isso...


E claro, como não poderia deixar de ser, as já habituais fotos de turistas, em que cada um pede a um dos outros uma fotografia daquele sítio.


Mais umas fotos do farol, à espera pela hora do pôr do Sol, já que aquele sítio parece ser uma das paixões dos fotógrafos e havia lá um grande número deles com máquinas profissionais, lentes enormes e inclusivamente tripés, para captar esse momento. Não os censuro de forma alguma.


Já no regresso, mais algumas oportunidades de testemunhar a beleza deste momento que só acontece uma vez por dia. E a cada dia parece que fica mais bonito.


Chegada ao hotel por volta das 22.30 de Sábado, sem novos problemas mecânicos. A fuga, no entanto, continuava lá.

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