domingo, 28 de março de 2010

Dia 16: um passeio com o Pacífico como companhia

Neste segundo Domingo, tal como no anterior, as aventuras do dia anterior fizeram-nos ficar a descansar até um pouco mais tarde, pelo que as actividades de reconhecimento da região aconteceram apenas durante a tarde, sendo a manhã ocupada com tarefas diversas que não fazemos durante a semana, como por exemplo reabastecimento logístico da unidade de confecção alimentar do apartamento.
Após a hora do almoço agarrei no carro, juntei-me a um colega e decidimos ir para Oeste, que é como quem diz, até ao Oceano. Algumas milhas e cerca de hora e tal de viagem depois, chegámos a um sítio que, pelo nome, poderia muito bem ser na costa Ocidental de Portugal: Santa Cruz.
 
 
Como já deu para perceber, Santa Cruz é uma zona de praia. E como zona de praia que é, em Santa Cruz podemos encontrar o que encontramos em todas as praias, ou seja, rocha sedimentada em formato de areia e unidades orgânicas, também conhecidas por pessoas, a aproveitar o sol nos intervalos em que não estão a ir ao banho. Mas Santa Cruz tem muito mais que isto, mesmo nos dias em que o tempo está ligeiramente embrulhado. O estacionamento é pago, pelo que optámos por deixar o carro num parque fora da zona de praia, num parque grátis aos Domingos e andámos cerca de 10 a 15 minutos para chegar à zona de praia.


Santa Cruz tem um pontão onde existem várias lojas dedicadas ao espírito de Surf que se vive aqui, bem como pequenos cafés de onde se pode admirar a vista. Santa Cruz fica numa espécie de baía muito grande, pelo que olhando directamente em frente para o Oceano, se visualizam facilmente as encostas de Monterey. E às vezes conseguem inclusivamente ver-se lontras a fazer pela vida a ver se apanham algum peixe junto ao pontão, ou simplesmente a descansar e a prepararem-se para mais um dia de trabalho árduo.


Mas mais que tudo isto, Santa Cruz é globalmente conhecida pelo Surf. Segundo dizem, independentemente do estado do mar e do tempo, em Santa Cruz poderá sempre fazer-se Surf. E segundo dizem as pessoas que sabem mais disso que qualquer um de nós, Santa Cruz é conhecida por ser o sítio com as melhores ondas para Surf em toda a costa Ocidental dos Estados Unidos.


Nas fotos não se vê muito bem, mas o mar que parece calmo estava efectivamente com bastante ondulação na zona onde a maior parte dos surfistas se encontrava. Para além do Surf, em Santa Cruz há também um parque de diversões ao longo da praia, as tradicionais e, graças ao Baywatch, mundialmente famosas torres dos nadadores-salvadores, bem como todo o ambiente típico de uma zona de praia muito descontraída.




Andando para Sul ao longo da costa, entramos então na zona do parque de diversões de Santa Cruz. Pelo menos duas montanhas-russas, várias barracas de jogos diversos, uma sala onde podemos fazer aquelas cenas dos filmes em que alguém com um vestido justo de latex tem de atravessar uma sala com vários lasers a impedir o caminho, e inclusivamente uma torre onde as pessoas sobem a uma velocidade vertiginosa e descem à mesma ou ainda maior velocidade.


Eu tenho um vídeo desta torre em funcionamento, mas não o posso colocar aqui, devido ao tamanho do ficheiro do mesmo. Quem tiver curiosidade para ver o vídeo, diga qualquer coisa depois de eu voltar. Dado que já chegámos um pouco tarde, acabámos por não andar em nenhuma das atracções, mas ficámos com vontade de cá voltar com mais gente, até porque há aqui um circuito de laser tag que queremos experimentar...

No caminho de regresso ao carro, passámos ainda por um sítio que nos pareceu serem aulas de dança ao ar livre, mas que poderia muito bem ser apenas mais uma maneira francamente interessante de conhecer pessoas do outro sexo.


Já mais perto do carro, houve uma rua cujo nome nos despertou a atenção. Não por ser nada de especial, mas sim por ser um sítio bem conhecido de quem acompanhou as aventuras de um certo e determinado assassino, nessa série de filmes quase de culto que surgiu em meados dos anos 80.


Não vimos o Fred Kruger. E decidimos não o procurar e continuámos caminho até chegar ao carro. Qual é o destino? Hotel. Mas em vez de irmos pelo caminho que nos trouxe até aqui, vamos pela Highway One, também conhecida por Cabrillo Highway, que acompanha a linha de costa. Dito e feito. Alguns quilómetros mais a Norte encontrámos uma praia onde parámos para mais uma vez ver o Pacífico em todo o seu esplendor.


De volta ao carro, e porque estava quase na hora de dizer adeus à estrela que todos os dias faz chegar a luz aos recantos mais escuros espalhados pelo mundo, aquecendo o sangue que pelas veias de todos os seres vivos faz correr a vida, decidimos andar um pouco mais para Norte. Chegámos a uma pequena praia perto de Bean Hollow, onde o aviso à entrada era bastante claro para quem se quisesse aventurar a entrar nas magníficas ondas que tínhamos pela frente.


Já que estávamos por ali, e que o momento estava quase a acontecer, decidimos esperar e tirar umas fotos daquela que possivelmente será instanciação mais Ocidental deste momento que alguma vez presenciámos. Vou deixar que as imagens falem por si.


Depois deste espectáculo de luz e cor, que bem poderia figurar num quadro de Turner ou dos seus seguidores, voltei costas ao Oceano e lá estava ela, redondinha e bonita como sempre.


A seguir foram várias milhas a atravessar a serra, em estradas em que se sente efectivamente prazer em conduzir ao contrário das auto-estradas largas e quase em linha recta onde habitualmente circulamos por aqui. Eram curvas, contra-curvas e ganchos, numa estrada só com uma faixa para cada lado, em que os pneus chiaram nas curvas feitas a 30km/h. Estes tipos estão tão pouco habituados a este tipo de condução que os dois tipos que iam à minha frente se encostaram à berma, um de cada vez, e separados por muitas milhas, para me deixar passar. E ao fim do dia, o regresso ao vale, para mais uma semana.

Como habitualmente, todas as fotos estão no álbum, e o dito está acessível a partir da barra lateral do blogue.

sábado, 27 de março de 2010

Dia 15: as árvores mais altas que já vi

Nota do editor: a partir de hoje passa a ser possível aceder ao álbum de todas as fotografias deste diário, utilizando para isso a imagem que aparece no canto superior direito de quem aqui chega.

Ao segundo Sábado por nossa conta, decidimos pegar novamente no carro e encaminhámo-nos de novo para San Francisco, ainda que hoje esse não fosse o destino final da viagem, mas apenas um ponto no caminho. Atravessámos a cidade, voltando a rever algumas das ruas que já tínhamos visto, bem como algumas outras por onde não tínhamos passado na semana anterior.

  
Devia haver qualquer coisa a acontecer em San Francisco, já que em menos de 10minutos nos cruzámos com pelo menos 3 carros de bombeiros em marcha assinalada. Depois de atravessarmos San Francisco, chegámos então mais perto daquela ponte que é muito parecida com uma das pontes de Lisboa: a mundialmente famosa Golden Gate Bridge.
 

Esta ponte é mesmo incrível. Ao contrário daquela que há em Lisboa, esta ponte pode ser atravessada de bicicleta ou, imaginem, a pé! E quando chegámos ao outro lado, decidimos então parar o carro e olhar para San Francisco de um ângulo que ainda não tínhamos visto.
 

É um sítio de turistas, mas cada um consegue tirar as fotos mais originais que se lembra, com ou sem a ponte, nas mais variadas posições. Pode inclusivamente descer-se ao nível da estrutura metálica da ponte e sentir toda a ponte a vibrar com os carros que lá passam em cima. É uma experiência que recomendo vivamente a todos quantos tenham a possibilidade de lá ir.


Vista que estava a Golden Gate, subimos então um pouco mais para Norte e fomos até Battery Mendel, que é uma espécie de forte de defesa da cidade de San Francisco, mas que está actualmente deixado ao abandono. Não fomos lá por ser um forte, fomos lá pela vista que se tem de lá.
 

O Oceano Pacífico é espectacular! À primeira vista parece um oceano como tantos outros, mas é muito mais. Este oceano é o maior e mais profundo do planeta e sozinho é responsável por cerca de um terço da totalidade da superfície da Terra. Agora já não parece assim tanto um Oceano como os outros, pois não?
 

Voltámos então à estrada principal e rumámos ao nosso objectivo do dia: Muir Woods, que é muito simplesmente um parque natural, monumento nacional onde se podem encontrar árvores altas. Muitas árvores, muito altas e algumas delas bastante largas. Algumas destas árvores são mais altas que um prédio de 10 andares, algumas destas árvores são tão largas que 4 pessoas de mãos dadas não chegariam para lhes dar a volta.


Estas árvores são tão altas que nenhuma foto lhes consegue fazer justiça. E à medida que vamos entrando pelo parque, obviamente depois de pagarmos os 5 dólares pela entrada ainda que ninguém estivesse a pedir bilhetes e nós pudéssemos simplesmente ter passado no meio de outras pessoas, fica cada vez mais difícil tirar fotos que mostrem a grandeza destas nossas amigas.


Sim, aquilo atrás de mim é uma árvore. E tal como esta, havia muitas mais neste parque. Dado que somos todos pessoas que gostam de aventura, optámos pelo trilho mais difícil: Oceanic View Trail,  que é sempre a subir até chegarmos a um dos pontos mais altos do parque, de onde conseguimos efectivamente ver o Oceano, ainda que seja apenas numa pequena faixa junto da linha de horizonte.


Chegados ao topo, ainda que local, dado que alguns montes ali à volta eram efectivamente mais altos, começámos a descer, optando desta vez pelo Lost Trail, regressando assim ao ponto de entrada.

 
O percurso que fizémos, cerca de 6km, demorou cerca de 3 horas, e permitiu-nos ver árvores que são em si fantásticas, árvores que caíram e morreram, árvores que morreram de pé, árvores em posições no mínimo curiosas e até árvores gémeas.

 
Quase de regresso ao ponto de partida, encontrámos um dos mais fantásticos exemplos da perfeição que a Natureza tem e que, por muito que tentemos, nunca conseguiremos imitar. Estou a falar dos círculos familiares das árvores. Uma árvore com muitos anos vê o seu tronco a morrer, mas não aceita esse facto e é então que das suas raízes, aproveitando a vida que por ali circula, surgem vários rebentos que formam um círculo à volta da árvore e crescem atingindo eles próprios a altura da árvore original.


No final do parque, e uma vez que eram cerca de 16:00 e ainda não tínhamos almoçado, decidimos ir até à cidade mais próxima e comer qualquer coisa. No regresso a casa, ao passar novamente pela Golden Gate, olhei para o lado direito e lá estava: O Sol que lá no céu, risonho vem beijar com um orgulho muito seu...


 
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