domingo, 14 de março de 2010

Dia 1: um dia com muitas horas

Eu ia começar isto à maneira do Star Trek, "Capitain's Log - Stardate XXX", mas como todos os que conhecem a série sabem, o momento zero das datas do Star Trek (Stardate 0) é equivalente a 1 de Janeiro de 2323, pelo que a conversão da data actual iria gerar um número negativo, o que tornaria a sua utilização ainda mais estranha.

O dia começou relativamente cedo, já que era preciso estar no aeroporto de Lisboa por volta das 8 da manhã. Procurei o número do voo nos painéis e localizei então os balcões de check-in. Levadas a cabo as formalidades de check-in, após ter mostrado o número da reserva porque o meu nome não estava a ser encontrado no sistema (é o que dá quando se têm muitos apelidos e a agência de viagens faz a reserva a começar pelo primeiro desses apelidos), foi altura de passar pela segurança e e pela alfândega. Toca a declarar este portátil de onde escrevo, porque não tem riscos ou marcas de utilização e no regresso a malta podia achar que o tinha comprado cá deste lado. Aproveita-se e declara-se também a máquina fotográfica.

Viagem até Newark, New Jersey. Lugar da janela, sem ninguém no lugar do meio, o que é mesmo porreiro para uma pessoa ter mais um pouco de espaço na viagem. Com cerca de 90 minutos de voo, começa então a sentir-se aquele cheiro muito característico dos aviões que antecede a distribuição dos manjares e iguarias, ou não, que as companhias aéreas nos reservam. Havia carne estufada com legumes, ou frango com qualquer coisa que não me lembro. Escolhi a carne estufada, não estava nada má. Não há fotos, mas garanto que tinha bom aspecto e sabia bem. Usar a viagem para ler uma grande parte do "Catcher in the Rye", do Salinger.

A cerca de 90 minutos da chegada, nova incursão ao mundo dos grandes mestres cozinheiros da Continental Airlines. Sandes de frango com queijo. Queijo... Não há mais nada? Não, só mesmo sandes de frango com queijo. Seja. A cerca de 10km de altura, um tipo não pode ser muito esquisito... Ainda bem que a sandes foi aquecida e o queijo escorreu para a embalagem de plástico. O que ficou agarrado ao frango nem sequer sabia muito a queijo.

Seguiu-se a tradicional descida para Newark, no final de cerca de 8 horas de viagem, que é assim como um teste à resistência aos estômagos mais fortes. É preciso muito boa vontade para as coisas que um tipo comeu na viagem não virem todas cá parar fora. Não vieram. Alfândega dos EUA. O que é que eu estou cá a fazer de novo? Desta vez vim em negócios (da última vez tinha vindo à cerimónia de entrega de diplomas de CMU e respectivas festas). Qual é a minha profissão? Sou o rapaz que trabalha nos computadores. Para quem é que eu trabalho? Para a empresa que todos os que lerem isto sabem e cujo nome não irei escrever aqui. Quando é que me vou embora? Em Maio. OK, pode seguir, não há mais perguntas. Estranhamente pensei que ia lá ficar a responder a perguntas a tarde toda, mas só tive mesmo de responder a estas.

Localizar a porta do voo para San Francisco. Chegar lá e perceber que o voo está atrasado uma hora. OK, uma hora não é mau. Dá para ir comer qualquer coisa. Eram para aí cerca das 8 da noite em Lisboa, mas apenas 3 da tarde em Newark. É estranho uma pessoa pensar em jantar a estas horas, mas o jet lag faz destas coisas... Durante o lanche/jantar, deu para acompanhar o evoluir da tempestade (texto em inglês) que se abateu sobre a parte Este dos EUA ontem. E para perceber que a coisa estava a ficar cada vez pior. 

Mandar SMS a relatar o atraso. Esquece. Não há cá SMS para ninguém. E chamadas telefónicas só com muita sorte. Mais uma hora de atraso no voo, porque o avião que haveria de sair para São Francisco não podia aterrar em Newark, à conta do mau tempo. Passageiros do voo 41, a vossa porta é agora a porta 81. Toca a fazer o percurso entre a porta 131 e a porta 81. Valeu que era no mesmo terminal. Mais uns capítulos do Salinger. Mais uma hora de atraso. O voo que deveria sair às 16:35, hora de Newark, acabou finalmente por conseguir aterrar, mas às 19:00 ainda estava a fazer a admissão dos passageiros. Eram cerca de 0:00 em Lisboa. Acabei o Salinger antes do avião sequer ter saído da pista.

A uma hora de voo, chegou a vez daquilo a que os mestres cozinheiros da Continental chamam de jantar. Um cheeseburger. Cá vamos nós outra vez. Pronto, já sei que não se pode ser esquisito e como já estava a pé há cerca de 20 horas, o melhor mesmo era comer aquilo e calar.

Chegada a São Francisco às 22:00 locais, ou 6:00 da manhã em Lisboa. Recolher a bagagem e procurar um táxi. Dizer ao condutor que queria vir para este hotel. Claro que o condutor não sabia onde é que era isto, mas mais volta menos volta, o GPS lá me conseguiu cá trazer. O pior é mesmo quando um motorista começa a fazer chamadas telefónicas numa língua que não é o inglês e um tipo que já está acordado há cerca de 24 horas, exceptuando alguns minutos em que conseguiu dormir no avião, começa a pensar coisas estranhas. Mas correu tudo bem.

Chegada ao hotel. Apelido. Ah, temos aqui a reserva. Ainda há colegas seus que já deviam ter chegado mas ainda não o fizeram. Apartamento 1231. É uma das pessoas que tem um apartamento só para si. Aqui está o cartão. Cheguei ao apartamento por volta das 0:00 locais. Uma volta pelo apartamento que me calhou em sorte, umas fotografias. Banho e cama, que preciso de recuperar do jet lag rapidamente.

Imagens disponíveis aqui.

Esta noite mudou a hora aqui. Menos uma hora de sono. Aparentemente ainda não estou a sentir a falta dela, já que acordei às 7:00, ou 6:00 pela hora antiga, 14:00 horas em Portugal. Até a hora mudar em Portugal, estarei com 7 horas de diferença. Vou tomar o pequeno almoço e descobrir um supermercado, para comprar comida para ter cá em casa, já que o resto eles "dão".

Lá fora está Sol. Há nuvens na baía, mas até ver são apenas aquelas em que nós estamos a trabalhar.

3 comentários:

  1. Ainda bem que alguém te emprestou esse livro... -> "Catcher in the Rye", do Salinger :)

    Quanto ao episodio do taxi, vai entrar no meu livro :P.

    Bom primeiro dia de trabalho.

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  2. Espero que tenhas levado mais uns livritos, senão pelo menos para o regresso devem ser úteis :P

    Vais fazer resumos da europa américa para o teu blog? ehehehe

    Leonora: Aprendeste? Quero ver esse livro escrito!

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  3. Tá visto que os senhores da Continental não são muito variados nas refeições, ficaste pelo tradicional "Beef or Chicken?".

    Táxistas que não sabem o caminho e fazem chamadas em Samoano... be afraid! :)

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