sexta-feira, 12 de março de 2010

Prólogo

Ainda antes de a aventura propriamente dita começar, já o percurso tinha sido fértil em acontecimentos dignos de registo, e que na sua totalidade conferem a esta aventura todo um sabor ainda mais especial.

Tudo começou com um anúncio na Intranet da empresa, em que se procuravam pessoas para participar neste projecto. Seguiu-se então o processo de candidatura, em que tive de responder a uma prova de conhecimentos com questões em diversas áreas técnicas, desde a programação até à arquitectura de sistemas distribuídos tolerantes a faltas, sem nunca esquecer aquilo que se pretende que seja o cerne deste projecto, ou seja, cloud computing (definição em inglês).

Eram 9 perguntas no total, muitas das quais suficientemente complicadas para exigirem algum tempo a pensar antes de responder, das quais se tinham de escolher pelo menos 4 para responder. Sendo como sou, nem outra coisa seria de esperar que não fosse escolher responder a todas. Estive 16 horas de volta do teste, e fui consultando tudo o que pude, para responder a todas as perguntas. Pelo caminho ainda falei no assunto com uma amiga da minha área de trabalho, com quem já trabalhei no passado e voltaria a trabalhar se a oportunidade surgisse, mostrando-lhe algumas das perguntas a que estava a responder. Como resposta obtive um sempre encorajador "não faço a mínima ideia do que é que eles estão a falar nem como responder a isso". Pois, eu também não, mas isso não chega para eu desistir seja do que for. Enviei então a respostas e aguardei.

Passadas umas semanas, um email da equipa de selecção informava-me que estava na lista de pré-seleccionados e por isso precisava de enviar o CV em 24 horas, mas o mesmo tinha de ter no máximo uma página. Vamos a isso. Agarrar no CV em inglês, tirar as coisas que não interessavam para este projecto, limar as que interessavam e sai um CV com apenas uma página. A resposta veio alguns dias depois, sob a forma de um convite para uma entrevista final de selecção.

Marquei uma sala de reuniões, para estar à vontade na entrevista, e à hora marcada lá estava. Liguei o portátil à rede, liguei o programa de tele-conferência e aguardei. Uns minutos depois uma voz lá do outro lado apresentou-se e começou a perguntar-me sobre o que eu fazia e já tinha feito no passado. Tive oportunidade de mostrar algumas arquitecturas de sistema que ajudei a desenhar e concretizar, bem como de fazer algumas perguntas sobre o projecto. A decisão final viria uns dias depois.

A resposta à minha candidatura chegou na segunda-feira antes do Carnaval, num dia em que o escritório estava fechado. Vi a resposta na quarta-feira, quando voltei ao escritório. Estando eu a escrever estas linhas, é fácil de adivinhar qual foi o resultado. O email não poderia ser mais claro. Tinha sido escolhido para participar numa das equipas envolvidas no projecto, para fazer algo que nunca antes tinha sido feito na empresa, algo que ultrapassa as linhas clássicas de negócio da empresa, e estava a ser-nos dada a oportunidade de o fazer de uma forma nunca antes utilizada na empresa, quebrando muitas regras pelo caminho. Perfeito. Nada melhor que quebrar umas quantas regras de vez em quando.

Seguiu-se a comunicação ao chefe, tal como o email pedia, para que o mesmo pudesse acautelar a minha ausência durante o período de dois meses necessário ao projecto. Pelo que me foi transmitido, a minha participação foi recebida com agrado. Sempre acreditei que acima de tudo deverá ser uma honra para qualquer equipa ter alguém na equipa que é escolhido, pelo mérito e capacidades que demonstra, para participar neste tipo de projectos, mas não foram precisos 2 dias para os problemas começarem a surgir. A burocracia estava a trocar-me as voltas e o facto de ser um colaborador externo, ou seja, que não pertence aos quadros da empresa, estava a prejudicar a minha participação.

Estranho. Na entrevista tinha referido esse facto, e ninguém me tinha levantado problemas por causa disso. E segundo sabia, os responsáveis por cada unidade de negócio tinham chegado a acordo que os colaboradores na mesma situação que eu também poderiam participar. Falar com os responsáveis pelo projecto, explicar-lhes o que se passava, esperar que o problema se resolvesse, ao mesmo tempo que continuava a ajudar a equipa onde fui colocado a preparar o cenário. Esperar. Perguntar se já havia novidades. Esperar mais um pouco.

E quando só faltavam duas semanas, surge então o momento. É preciso um email a dizer que posso ir, que me aceitam no projecto? OK, isso é fácil. Sai um pedido de email. Chegou no dia seguinte. Podia ir, mas tenho de assinar um acordo de não divulgação (em inglês, um NDA). Venha de lá o NDA que assino já.

Marcar vôo. Marcar hotel. Mas afinal não ias voltar no dia 15? Porque é que estás a apanhar voo no dia 17? Porque vou tirar uns dias de férias a seguir à viagem, porque as duas noites extras estão cobertas pelo orçamento do projecto e, segundo quem manda, podem ser usadas pelos colaboradores se quiserem ficar algum tempo de férias. Ah, e o voo era mais barato na segunda-feira, ainda que o valor do mesmo, independentemente de qual fosse, estava coberto pelo projecto.

Pedir adiantamento para a viagem. Não pago voo, nem hotel, paga o projecto. Ah, mas para isso preciso de saber o valor da diária do hotel e o preço do voo. Caramba, pensei que tinha sido bem claro que não ia pagar nem uma coisa nem outra. Adiantamento resolvido.

Seguro. Ah, isso tens de tratar com a tua empresa. A empresa não é minha, eu apenas trabalho lá. Pois muito bem, seja. Como é com o seguro de saúde? Ah, já alterámos o âmbito territorial para incluir os EUA, se for preciso alguma coisa só tem que dizer que é colaborador do grupo e tem um seguro de assistência em viagem. Como é que é? E não há número da apólice nem nada? Estranho.

Teste à seguradora. Sou colaborador do grupo e tenho um seguro de assistência em viagem, quero saber as coberturas. Obrigado pelo contacto, mas o mediador disse que deveria entrar em contacto com alguém do grupo para lhe darem esses detalhes. OK, nova tentativa, alguém do grupo que me dê o número da apólice. Chegou hoje, vá lá ainda veio a tempo.

Fazer as malas. Cabe tudo o que é preciso? Não cabe? Podias comprar uma mala maior. Hoje? Não obrigado. OK, passam a ir mais umas coisas na mochila. Lista de verificação. Está tudo. Tempo de despedidas. Detesto despedidas. É só um até logo, ou um até amanhã muito grande. Antes assim.

Durante 2 meses estarei a aproximadamente 9000km de casa, a trabalhar na área da baía de San Francisco, a fazer um projecto de computação nas nuvens.

A aventura a sério começa amanhã.

O Oceano é Pacífico e quando se quebram as regras, há nuvens na baía.

2 comentários:

  1. Hehehe, boa sorte do lado de lá do oceano!

    (Pensava eu que fazia postas grandes de vez em qd... :P)

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  2. Pois, parece que está a escrever um livro, aqui pessoas com problemas a arranjar palavras e o rapaz escreve que se farta sem esforço... :(

    :), Boa sorte e VAI A SÃO FRANCISCO !!!!!!!

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