domingo, 21 de março de 2010

Dia 7: a primeira sexta-feira

Dado que enquanto estamos a trabalhar não acontecem coisas dignas de registo, esta espécie de diário de bordo terá frequentemente interrupções desta natureza e de duração variada. A primeira sexta-feira podia ter sido um dia como todos os outros, mas não foi.

Tudo começou normalmente, como nos restantes dias da semana, mas algo se passou que haveria de tornar esta sexta-feira diferente dos outros dias que vivemos até hoje. À hora de almoço estava tudo normal e decidimos ir almoçar ao sítio do costume, que é como quem diz, a única coisa suficientemente perto para não termos de levar os carros.

É o Hoagies, um sítio onde se pode comer quase tudo e mais alguma coisa, desde que seja em jeito de sandes. Não é grande coisa, mas é fica no mesmo complexo de edifícios do escritório e dá para o gasto. Tenho um cartão de cliente frequente e palpita-me que na próxima semana irei almoçar um dia de borla...

O que o Hoagies tem de bom não é propriamente a comida, nem a variedade, mas o sítio onde nós efectivamente nos sentamos para comer, tal como se pode ver pelas fotos.
 
 
Como se pode ver, isto é absolutamente parecido com o local onde costumava almoçar todos os dias antes de entrar nesta aventura. Ou então não.
 
Depois do almoço voltámos ao escritório e continuámos a trabalhar. Às 3 da tarde houve uma apresentação daquilo que cada uma das equipas está a fazer e surgiu então a sequência de momentos que tornariam esta sexta-feira diferente de todos os outros dias de trabalho anteriores. Primeiro cheguei ao meu lugar e vi que a nossa estimada assistente Connie, uma das pessoas que torna tudo isto possível, me tinha lá deixado umas cápsulas para tirar chocolate quente da máquina do escritório. Não temos cápsulas destas na máquina, e portanto foi uma espécie de favor pessoal, que prontamente agradeci. Ao que parece vamos ter cápsulas destas no futuro, mas para já ali estavam algumas só para mim.
 
E foi então que veio a surpresa do dia: happy hour. Todos para o jardim às 4:30 da tarde comer e beber, para festejar a primeira semana. Havia vinho, cerveja, camarões, salgados e mais uma carrada de coisas que eu já nem me lembro muito bem.
 
 
Fantástico. Todos os escritórios deviam fazer isto. Porque contribui para a motivação do pessoal e não prejudica grandemente a produtividade. Se não fizémos numa semana o que devíamos fazer, não é de certeza em duas ou três horas ao fim de sexta que o faremos. E assim foi. Quem estava de carro teve o cuidado de beber pouco e no final voltámos ao escritório para arrumar as coisas e voltar ao hotel. O dia preparou-se então para terminar com o jantar num restaurante buffet chinês, que até dá para ir a pé, onde dá para comer de tudo, inclusivamente peixe (sem ser frito) e vegetais, que era algo que andava a faltar na minha dieta desde que vim daí.

Terminado o jantar, estava então na hora de regressar ao sítio que por estes dias chamamos de casa. Mas havia ainda duas coisas que era preciso fazer antes de o dia terminar. Pedir o serviço de lavandaria para a roupa exterior, e usar as máquinas no hotel para lavagem da roupa interior da semana. A primeira actividade resumiu-se a deixar a roupa na recepção do hotel dentro de um saco, mas a segunda foi um pouco mais complexa. Como não tinha comprado detergente (entretanto já passei no supermercado e comprei), tive de comprar uma unidose de detergente no hotel. 2 dólares por um bocado de pó.

Depois veio então a lavagem propriamente dita. Não custa nada, é só enfiar as coisas numa das máquinas partilhadas do hotel e esperar. A máquina diz que o ciclo de lavagem demora 20 minutos, mas como as máquinas daqui têm um tambor que apenas faz alguma rotação em torno de um eixo vertical, ao contrário das máquinas europeias onde a rotação é em torno de um eixo horizontal, elas entram num qualquer paradoxo do contínuo temporal e os 20 minutos anunciados são na realidade 40. E entretanto a malta espera. Depois é esperar que vague uma máquina de secar e pôr lá a roupa que acabou de ser lavada. A máquina de secar diz que demora 42 minutos, e é capaz de ter alguma razão, já que foi mais ou menos isso que demorou.
Agora já dá para perceber porque é que eu sou lá vou uma vez por semana e trouxe roupa suficiente para usar durante mais de uma semana seguida sem ter de ir à lavandaria.

3 comentários:

  1. Em relação à cena da roupa... Welcome to my world... Havias de ver como passo a ferro com as mãos depois de tirar a roupa da máquina de seca ;)

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  2. "2 dólares por um bocado de pó."... eu sei que é relativo, mas parece barato :D

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