sábado, 1 de maio de 2010

Dia 43: as montanhas

O dia começou bem cedo já que o destino era a algumas centenas de quilómetros e queríamos chegar lá com bastantes horas para desfrutar do sítio. Saída do hotel às 7.00 da manhã a um Sábado não é fácil, mas quando se quer muito uma coisa, todos nós fazemos sacrifícios desses.

O caminho até lá chegar é quase sempre em auto-estrada, até que começamos a subir e então ainda temos pela frente quase uma hora de estradas em montanha. A vista à subida pelo meio das montanhas é simplesmente... difícil de descrever por palavras.


Yosemite National Park. Um sítio fantástico para sentir a força que a Natureza exerce diariamente no nosso fluxo de vida, sem que muitas vezes nos apercebamos do seu poder, ou ainda que por vezes a tomemos como um dado adquirido.

Semana dos parques grátis, pelo que não pagámos os 20 USD de entrada por carro. Não sei como foi no outro carro, mas no nosso decidimos doar os 20 USD voluntariamente para a organização responsável pela manutenção do parque e conservação da vida natural.

Este parque natural tem árvores, montanhas, água a correr e tudo o que podemos esperar dum sítio destes. A base do parque fica "apenas" a cerca de 1000m de altura. E a partir daí, tudo fica a subir.

 
Passada a entrada, ainda tivémos de andar alguns quilómetros até chegar ao centro do visitante. Pelo caminho a paisagem foi tornando a sua contemplação mais difícil, dado que facilmente ultrapassou o nível de fantástico e extraordinário, para atingir níveis de beleza que nem a melhor das câmaras consegue captar.

A sério, é muito difícil descrever toda a beleza natural deste sítio. Mais uns quilómetros, mais uma paragem, mais uma dose de paisagem difícil de assimilar por quem não vê sítios como este todos os dias.


Eu estava a cerca de 20 metros da base da queda de água. Já houve dias de chuva em que me molhei menos... O que vale é que uns metros depois de sair dali, o calor que se sentia acabou por secar a roupa muito rapidamente.

Pelo caminho existem várias oportunidades de tirar fotos, e há coisas aqui que nos deixam a pensar como é que são possíveis...


Da última vez que vi, a minha altura era quase 1,80m. Estou mais ao menos ao lado do sinal que indica o nível da cheia em 1997... Esta foto foi tirada numa zona plana, onde provavelmente caberiam mais de 200 mil pessoas todas juntas. Deve ser uma questão Matemática perceber a quantidade de água que estava a passar aqui. É de certeza uma questão de imaginação visualizar a situação. Só para ajudar, há um vídeo que mostra como o parque estava um mês antes e segundo parece, continuou a chegar água vinda de cima, nas suas mais variadas formas.


Chegados até à base, e depois de termos perdido um dos carros, porque não conseguimos estacionar ambos os veículos na mesma zona e ficámos a perceber que os nossos telefones da T-Mobile são tão úteis neste sítio como um copo de água doce no fundo do oceano, estava na altura de escolher um trilho e começar a andar para admirar o sítio. Antes disso, almoço para reunir forças.
Sigamos então para um trilho de aproximadamente 8 quilómetros de distância, pelo meio da montanha, para atingir os cerca de 2000 metros de altura.


Esta última foto é, na realidade um vídeo, já que fotos não conseguem mostrar convenientemente a grandeza da queda de água. Para ver o vídeo só é preciso fazer clique na foto, como se fosse para ver maior.

A subida é exigente. Muito exigente. Demorámos cerca de 2 horas para subir cerca de 400 metros em altura.


Por esta altura os meus músculos enviaram ao meu cérebro a informação que estava na altura de parar de subir. Suponho que as dificuldades em respirar que estava a ter há cerca de meia hora tenham tido alguma coisa a ver com isso. 


Eu e outro colega começámos então a descer, ao mesmo tempo que a roupa voltava ao estado anterior de seca, algo que tinha sido interrompido tanto pela transpiração gerada pelo esforço da subida, como pela água que caía em algumas partes do percurso.

Dois colegas continuaram ainda a subir por mais uma hora. Segundo nos disseram quando regressaram à base, encontraram umas pessoas na descida que tinham começado a subir às 11, tinham chegado ao topo por volta das 17 e depois tinham começado a descer após uma pequena pausa. Ou seja, foram "apenas" 6 horas sempre a subir... Os números parecem-me bastante credíveis e consistentes com os tempos que demorámos até voltar para baixo.

À chegada à base, mais umas fotos do parque, e recuperadas que estavam as funções que tinham falhado, mais alguns quilómetros a andar a direito e a ver o que o parque tinha para nos oferecer, antes do regresso ao hotel.

 
 

E no regresso, heis que aparece então na ementa do dia algo que de certeza não é a primeira coisa que nos passa pela cabeça quando ouvimos falar de Califórnia.

Sim. É isso mesmo, nem eu estou a delirar nem as pessoas que lerem isto estão a imaginar coisas. Há neve na Califórnia, e aparentemente não é tão pouca como isso. Inclusivamente há por aqui gente que pode dizer que veio para a Califórnia fazer ski...

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